
A Polícia Civil considera improvável a hipótese de envenenamento intencional no caso da pizzaria investigada por provocar um surto de intoxicação alimentar, que resultou na morte de uma mulher e deixou mais de 110 pessoas doentes em Pombal, no Sertão da Paraíba. A informação foi confirmada pelo delegado Rodrigo Barbosa, responsável pelo inquérito.
O delegado afirmou que a dinâmica do caso levou a polícia a afastar essa possibilidade de envenenamento. Isso porque funcionários da pizzaria também consumiram o alimento e passaram mal na noite do domingo (15), data em que que as pizzas foram vendidas.
“Atualmente a polícia considera improvável um envenenamento intencional, mas ainda trabalha com a possibilidade de um envenenamento acidental. A própria equipe, na noite do domingo, também consumiu o alimento e passou mal. O caixa comeu e, em menos de 10 minutos, passou mal", afirmou.
Um dos administradores da pizzaria, que é padrastro do dono do estabelecimento, foi ouvido pela polícia. Segundo o delegado, esse administrador afirmou que desconfiou da carne de sol utilizada na pizza com nata. O delegado destacou que essa desconfiança em torno da pizza de carne de sol na nata também apareceu em outros relatos.
De acordo com a família de Raíssa Maritein Bezerra e Silva, mulher que morreu após comer na pizzaria, ela pediu justamente uma pizza de carne de sol no local.
O delegado afirmou que o administrador disse que a carne foi comprada no sábado (14) pela manhã e a nata preparada durante a tarde.
Além disso, o homem negou que o local tivesse sido exposto a veneno ou que tivesse passado por dedetização no dia.
A Polícia Civil apura dois crimes no inquérito. O primeiro envolve o consumo de alimento impróprio, previsto na Lei 8.137, que trata das relações de consumo. A infração consiste em vender, expor à venda ou entregar mercadoria em condições impróprias ao consumo, com pena de detenção de dois a cinco anos ou multa.
“A princípio, tem o crime relacionado ao consumo, que seria a principal linha de investigação. O mais importante é saber o que causou essas intoxicações. Quem tiver agido com negligência, ainda que de forma não culposa, pode responder. Pode ser o dono ou mesmo vendedores dos alimentos", explicou o delegado.
O segundo crime investigado é o de homicídio culposo, em razão da morte da cliente, de acordo com o delegado. A vítima foi submetida a exame toxicológico, e amostras do corpo, dos alimentos e das pizzas foram recolhidas. O resultado do exame é estimado para sair em cerca de duas semanas.
“A morte dela passa a ser considerada um possível homicídio culposo. Precisamos esclarecer o que aconteceu com base nos alimentos que foram usados e tentar descobrir a possível contaminação”, afirmou.
Segundo a polícia, todos os envolvidos na cadeia de preparo e venda dos alimentos podem ser responsabilizados, caso fique comprovada negligência. Até o momento, o dono da pizzaria não foi intimado a prestar depoimento.
Em um vídeo publicado nas redes sociais, Marcos Antônio, dono do estabelecimento, disse que lamenta a morte da mulher de 44 anos e todo o transtorno causado para as pessoas que tiveram que passar por atendimento médico.
"Quero salientar também que jamais eu tive a intenção de machucar qualquer pessoa, prejudicar qualquer pessoa. Porque eu sou jovem, tenho 24 anos e meu comércio é minha vida. Então, jamais iria me sabotar, jamais iria prejudicar, porque tudo o que conquistei foram seis anos de muita luta, muita renúncia e dificuldade. Minha última intenção seria prejudicar justamente os clientes que dão meu sustento, que dão meu pão", disse.
Sobre essas investigações, ele afirmou que está colaborando com todos os órgãos citados e que também procura entender como aconteceu o caso que levou essa quantidade de pessoas a procurar atendimento médico.
"Eu estou colaborando com a vigilância, fornecendo amostras, com a Polícia Civil também, que eles pediram também, estamos enviando isso, estou entregando porque eu preciso da verdade. (Estou colaborando) com a prefeitura também. Eu preciso da verdade para me sentir bem", ressaltou.
A mulher que morreu após comer em uma pizzaria foi identificada como Raíssa Meritein Bezerra e Silva, de 44 anos. Na noite do domingo (15), ela foi para o estabelecimento com o namorado comer uma pizza de carne de sol. O namorado passou por atendimento após comer o alimento, mas não teve mais problemas graves na saúde.
Raíssa Meritein era engenheira agrônoma, servidora pública e descrita por familiares como alguém que era 'alegre e acolhedora'.
"Era uma pessoa alegre, simples, acolhedora. Raíssa era servidora pública, engenheira agrônoma, não tinha filhos e não era casada. (Era) divertida", disse a prima de Raíssa, Izabele Freitas.
Em nota, o Hospital Regional de Pombal afirmou que a "paciente apresentou rápida evolução clínica, sendo prontamente assistida pela equipe médica e encaminhada à Unidade de Terapia Intensiva (UTI), já em estado geral gravíssimo, com sinais compatíveis com um quadro infeccioso grave". Por volta das 8h59 desta terça-feira (17), a morte foi confirmada.
Ainda no domingo, após retornarem para casa, os dois começaram a passar mal e foram para o Hospital Regional, receberam atendimento e foram liberados. No entanto, na manhã desta segunda-feira (16), a mulher deu entrada novamente na unidade de saúde, onde permaneceu internada até vir a óbito nesta terça-feira (17).
Exames periciais com o material encontrado na pizzaria e também no corpo da mulher morta vão ser feitos, tanto pela Polícia Civil quanto por órgãos de saúde, como a Agevisa-PB, respectivamente.
O sepultamento da vítima ocorreu nesta quarta-feira (18), às 10h, no Cemitério São Francisco, também em Pombal.
Fonte: g1 PB
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