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Policial OPERAÇÃO PERFÍDUS

Denúncia de traficante deu origem à investigação que levou à prisão de delegado e agentes da Polícia Civil na PB; policiais movimentaram cerca de R$ 10 milhões

Apuração iniciada em 2025 revelou suposto esquema de desvio de drogas, vazamento de informações sigilosas e ligação entre policiais e integrantes de organização criminosa

02/06/2026 às 16h00 Atualizada em 02/06/2026 às 16h20
Por: Felipe Vilar Fonte: Patos Online
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Foto: Divulgação/PCPB
Foto: Divulgação/PCPB

A investigação que resultou na deflagração da Operação Perfídus, nesta terça-feira (2), teve início em fevereiro de 2025 após a denúncia feita por um traficante de drogas, que alegou ter sido vítima da subtração de entorpecentes por policiais civis. A informação foi revelada pelo delegado Rafael Bianchi, da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (DRACO), durante entrevista coletiva concedida após a operação.

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Segundo o delegado, a denúncia motivou o início de diligências preliminares para verificar a veracidade das informações e monitorar a atuação dos investigados.

“Iniciou-se, aproximadamente em fevereiro do ano passado, a partir de uma denúncia de um próprio traficante que teve as suas drogas subtraídas pela equipe policial. Nós identificamos o denunciante primeiramente, identificamos que ele é membro cadastrado de uma organização criminosa, e assim iniciamos algumas diligências prévias, acompanhando a rotina dos policiais”, afirmou Bianchi.

A Operação Perfídus foi deflagrada pela Polícia Civil da Paraíba e pelo Ministério Público da Paraíba, por meio da DRACO, da Unidade de Inteligência Policial (UNINTELPOL) e do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO). Ao todo, foram cumpridos nove mandados de prisão e 24 mandados de busca e apreensão, além do bloqueio judicial de aproximadamente R$ 10 milhões em bens e valores dos investigados.

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Entre os presos estão o delegado da Polícia Civil Braz Morroni de Paiva Júnior, titular da Delegacia de Crimes Contra o Patrimônio (DCCPAT), em João Pessoa, e dois agentes da corporação. O traficante que fez a denúncia inicial também foi preso durante a operação.

Como funcionava o esquema

De acordo com as investigações, integrantes de uma organização criminosa repassavam aos policiais informações sobre locais onde drogas pertencentes a grupos rivais estavam armazenadas. Os agentes, então, realizavam ações clandestinas utilizando a estrutura policial para localizar e retirar os entorpecentes, que não eram devidamente apreendidos.

Segundo o delegado Rafael Bianchi, parte da droga era desviada e devolvida a traficantes ligados ao grupo investigado para posterior comercialização.

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“Traficantes de confiança dos policiais informavam onde havia essa droga armazenada. Os policiais iam até o local, realizavam a subtração e repassavam essa droga para esses traficantes de confiança, que são todos da mesma organização criminosa”, explicou.

As investigações também apontaram o suposto desvio de drogas que deveriam ser incineradas após apreensões oficiais.

O delegado André Rabello destacou que o trabalho investigativo durou cerca de 15 meses e revelou um esquema que envolvia tanto o tráfico de drogas quanto a utilização indevida da estrutura estatal.

“A gente se debruçou e se deparou com essa realidade, com nove alvos, nove traficantes, incluindo três policiais, retirando do meio criminoso entorpecentes e, em vez da entrada na polícia, voltando para outras organizações criminosas. E o que dava entrada na delegacia, quando ia ser incinerado, também havia o desfalque lá naquele momento de incinerar”, afirmou.

Policiais investigados

Segundo a Polícia Civil, um dos agentes presos é Everton Rychelyson da Silva Aires, conhecido como “Bomba” ou “Bombado”, apontado como operador central do esquema e responsável pela interlocução entre policiais e traficantes.

Outro investigado é Eduardo Jorge Ferreira do Egito, conhecido como “Mão Branca”, suspeito de participação direta nas subtrações de drogas e no monitoramento de carregamentos, além do uso de rastreadores e armazenamento de entorpecentes.

Já o delegado Braz Morroni é apontado pelas investigações como beneficiário dos lucros obtidos com a comercialização das drogas desviadas e por utilizar sua posição funcional para dar suporte aos subordinados envolvidos.

Movimentações milionárias

Conforme as investigações, os agentes presos movimentaram cerca de R$ 5 milhões, cada, totalizando um montante aproximado de R$ 10 milhões. Foi o que afirmou o delegado Rafael Bianchi, responsável pelas investigações.

“O apurado geral dos policiais constatou-se que eles movimentaram individualmente cada um R$ 5 milhões incompatíveis com o cargo que eles exercem. Ficou constatado ali que entrou um fluxo de dinheiro de origem suspeita”, destacou o delegado.

Um dos investigadores presos, que seria o líder do grupo, também é suspeito de orientar traficante do Sertão para evitar prisão. “Nós constatamos que ele auxiliava esse traficante do sertão paraibano a não se entregar e dando algumas dicas de como a polícia agia para não localizá-lo”, acrescentou.

Veja detalhes no vídeo abaixo:

 
 
 
 
 
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Quem é Braz Morroni

Com mais de 20 anos de carreira na Polícia Civil da Paraíba, Braz Morroni de Paiva Júnior foi nomeado delegado em agosto de 2004, após aprovação em concurso público.

Ao longo da trajetória profissional, atuou nas delegacias de Cuité, Itabaiana, Campina Grande e na Segunda Delegacia Regional de Polícia Civil. Em 2017, passou a integrar a Delegacia de Repressão a Entorpecentes e, dois anos depois, assumiu a Delegacia de Crimes Contra o Patrimônio (DCCPAT), em João Pessoa.

Foto: Reprodução/TV Paraíba

 

Outros presos

Também foram presos durante a operação:

  • João Wicttor Alves de Lima;
  • Brendo Roberth Fernandes Sobral;
  • Paulo Ricardo Barbosa de Souza, conhecido como “Galinha”;
  • José Alexandrino de Lira Júnior, conhecido como “Júnior Lira”;
  • Vanessa Dantas Fernandes;
  • Dankennedy Vieira Brito da Silva, conhecido como “Babau”.

Os investigados são suspeitos de participação em atividades ligadas ao tráfico de drogas e à organização criminosa alvo da operação.

O nome da operação faz referência à palavra latina Perfidus, que significa “traidor” ou “desleal”, em alusão à conduta atribuída aos investigados, que teriam utilizado suas funções e estruturas públicas para favorecer atividades criminosas.

Por Patos Online

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