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Policial ESCÂNDALO FINANCEIRO

PF investiga consultoria por investimentos de previdências municipais paulistas no Banco Master

Empresa ligada a investigado orientou aplicações milionárias no Banco Master, alvo de apurações

27/04/2026 às 08h50 Atualizada em 27/04/2026 às 10h08
Por: Higor Oliveira Fonte: Metrópoles
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Foto: PF/ Divulgação
Foto: PF/ Divulgação

A Polícia Federal (PF) investiga a atuação da empresa de consultoria de investimentos Crédito e Mercado por aplicações milionárias feitas por institutos de previdência de cidades paulistas no Banco Master, pivô de um escândalo financeiro bilionário.

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Entre os clientes da consultoria, estava o Instituto de Previdência Municipal de Santo Antônio da Posse, município de 23 mil habitantes no interior de São Paulo, que foi alvo de operação da PF na última quinta-feira (23/4), por aplicar R$ 7 milhões em letras financeiras do banco de Daniel Vorcaro, que está preso.

A Crédito e Mercado tem como um de seus sócios o advogado Cecílio Galvão, que também é investigado por ter recebido R$ 4 milhões de entidades envolvidas na Farra do INSS, o escândalo de descontos indevidos de aposentados revelado pelo Metrópoles.

É o nome de Galvão que aparece nas dezenas de contratos achados pela reportagem entre a consultoria e os institutos de previdência de cidades brasileiras, principalmente em Minas Gerais, no Paraná, no Rio de Janeiro e em São Paulo, onde foram mais de 20 cidades.

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O Metrópoles confirmou com fontes da PF que a empresa está na mira dos investigadores por causa de aportes recomendados ao Instituto de Previdência Municipal de Santo Antônio da Posse no Banco Master.

A Justiça Federal em Campinas autorizou, na semana passada, a busca e apreensão contra o Iprem-Posse, o ex-presidente, uma diretora e três membros do Comitê de Investimentos do órgão, por suspeita de “gestão temerária” dos recursos do Regime Próprio de Previdência Social (RPPS) dos servidores do município.

A Crédito e Mercado argumenta que “a decisão final de investimento é de responsabilidade exclusiva dos gestores e comitês dos RPPS, que possuem autonomia na alocação de recursos”. Sobre a operação da PF, afirma não foi notificada por nenhuma autoridade.

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O CEO da Crédito e Mercado, Renan Calamia, já foi julgado — e absolvido — pela Justiça Federal de São Paulo, em janeiro deste ano, pelos aportes em Santo Antônio da Posse, mas a atuação da consultoria segue sob apuração, e os documentos apreendidos na operação da última quinta-feira devem ajudar os investigadores a concluírem se houve irregularidade nas recomendações de aplicações no Master.

Calamia também é citado em outras investigações da PF. A delegacia de São José do Rio Preto, no interior de São Paulo, cita o empresário em inquérito que apura o envolvimento da consultoria Plena na previdência de Sebastianópolis do Sul, outro município paulista.

Segundo os investigadores, ele agiu “de forma temerária na decisão de aplicação dos recursos, atuando com consciência e vontade de administrar audaciosamente, colocando em risco a saúde financeira do RPPS de Sebastianópolis do Sul”.

PF aponta que um dos fundos que tiveram o aporte recomendado pela consultoria Plena em Sebastianópolis do Sul é o Brazilian Graveyard and Death Care Services, que investe no setor funerário e foi administrado pela Master S.A. Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários, sendo assumido pela Mérito DTVM três meses depois da liquidação do banco.

Como mostrou o Metrópoles, o cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro, Fabiano Zettel, era do conselho de administração da Cortel, uma das empresas de cemitério que tinha um fundo ligado ao Master entre os acionistas. O Iprem-Posse também investiu no Brazilian Graveyard and Death Care Services.

A defesa de Renan Calamia sustenta que o empresário nunca participou da Plena, que foi incorporada pela Crédito e Mercado em 2019. Calamia teria entrado na empresa dois anos depois. Em 2021, houve reestruturação na direção da empresa.

Ex-sócio alvo de CPI

Um dos ex-sócios da Crédito e Mercado é Eduardo Nakamura, que também assina contratos com o Iprem de Santo Antônio de Posse — ele deixou a sociedade em 2021, segundo dados da Junta Comercial.

À reportagem, Nakamura afirmou que não se envolvia na parte de consultoria em ambas as empresas — Plena e Crédito e Mercado — e que atuava na área administrativa e de recursos humanos. Segundo ele, havia um departamento técnico que cuidava da área de consultoria.

O empresário é alvo de um pedido de convocação do deputado estadual Paulo Fiorilo (PT) na CPI das Pirâmides Financeiras, em curso na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp).

Em 2013, antes de virar Crédito e Mercado, a Plena prestava consultoria para o Instituto de Previdência de Paulínia (PauliPrev). As contas daquele ano foram recusadas pelo Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP).

À época, um auditor citou reportagens da imprensa para afirmar que a Plena fazia parte de “uma quadrilha criminosa que fraudava os Regimes Próprios de Previdência Social”.

Um dos negócios pouco transparentes apontados pelo relatório foi o aporte de R$ 16 milhões no fundo imobiliário Golden Tulip, que geria um empreendimento hoteleiro de Daniel Vorcaro em Belo Horizonte. Prometido para ser explorado na Copa do Mundo de 2014, ele nunca se concretizou.

Fonte: Metrópoles
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