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Paciente com câncer realiza sonho de casar dois dias antes de morrer, em João Pessoa

Cerimônia foi organizada em menos de uma semana dentro do Hospital Napoleão Laureano, com apoio de voluntários, após o agravamento do estado de saúde da paciente.

12/07/2026 às 19h30 Atualizada em 12/07/2026 às 20h15
Por: Felipe Vilar Fonte: g1 PB
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Foto: Divulgação / Hospital Napoleão Laureano
Foto: Divulgação / Hospital Napoleão Laureano

Internada para tratar um câncer avançado, Ana Paula Ribeiro, de 26 anos, oficializou a união com o marido dentro do Hospital Napoleão Laureano, em João Pessoa, em uma cerimônia organizada por voluntários e profissionais da unidade. Ela morreu dois dias depois, deixando duas filhas e a lembrança de um momento que mobilizou quem acompanhava o tratamento.

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O casamento foi realizado na sexta-feira (3). Ao lado dela estava Felipe Alves, de 32 anos. Os dois viviam juntos havia oito anos e planejavam oficializar a união quando Ana Paula estivesse recuperada. De acordo com Felipe, o diagnóstico do linfoma ‘não Hodgkin de células T’ foi descoberto após o nascimento da filha mais nova, de apenas três meses, o que mudou os planos da família.

“Conheci ela pelo facebook há 8 anos. Mandei mensagens para ela e ela respondeu. Nos apaixonamos. Ela sempre foi uma pessoa muito alegre. Já tínhamos planos de casar. Ela disse que tinha o sonho de casar comigo, mas eu pedi que ela esperasse ficar boa para casarmos na igreja, mas infelizmente não deu tempo”, disse Felipe.

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Com a piora do quadro de saúde, o casal decidiu antecipar a cerimônia. Em menos de uma semana, voluntários reuniram vestido de noiva, alianças, música, bolo e organizaram a presença de um pastor para oficializar a união.

"No momento do casamento no hospital, ela ficou muito feliz. Tudo foi planejado. Teve música, ela se vestiu de noiva, colocou a aliança em meu dedo e eu coloquei no dedo dela. Foi tudo muito bonito. Fiquei alegre, muito feliz".

Dois dias depois da cerimônia, no domingo (5), Ana Paula morreu no quarto onde estava internada. Segundo Felipe, ela passou os últimos momentos ao lado dele.

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"Ela me disse que já estava tão cansada. Disse que me amava e que estaria sempre ao meu lado. Pediu que eu cuidasse das crianças e partiu. Morreu ao meu lado", contou.

‘Paulinha queria chegar em casa casada e eu prometi que ia me esforçar’

A cerimônia foi organizada com apoio de Maria de Lourdes, conhecida com "Bom Te Ver" ou "Lurdinha". Há 20 anos ela atua como palhaça voluntária em hospitais e eventos. Segundo ela, tudo começou quando entrou na enfermaria da paciente durante uma visita.

"Eu estava na hematologia quando a porta da enfermaria dela se abriu e o marido dela me falou que ela estava angustiada com cabelos caindo. Entrei pra conhecê-la e ela falou que escutou minhas musiquinhas e estava me esperando para cortar os cabelos dela. Assim foi feito. Cortei. Brincamos. Doei turbantes para ela e pro marido também. Foi aí que ela revelou o sonho de casar de vestido de noiva. E não faltou quem ajudasse" , contou.

A partir desse diálogo, os voluntários iniciaram as buscas pelas condições necessárias para que a paciente realizasse o sonho de casar.

“Paulinha falou que queria chegar em casa casada e eu prometi que ia me esforçar. Fui a procura da diretoria, que de imediato foi favorável. Publiquei o noivado pedindo doação de um par de alianças e rapidamente consegui”, explicou a voluntária.

Embora a direção tenha apoiado a ideia, Lurdinha conta que, durante a organização, surgiu a informação de que seria necessário aguardar uma nova avaliação para que o casamento pudesse acontecer.

"O que parecia tão simples, tornou-se difícil. Recebi a mensagem que o casamento não podia ser realizado, pois tínhamos que esperar ela melhorar. Comecei a importunar todo mundo que eu tinha esperança que poderia ajudar e Paulinha me perguntando se seria sexta-feira mesmo. Mas quando Deus quer agir, ninguém pode impedir. O hospital acessou a equipe de vigilância sanitária para garantir o bem estar da paciente", explicou.

Com a nova autorização, em poucos dias, chegaram o vestido de noiva, acessórios, alianças e até um violão para acompanhar a celebração.

"Uma equipe de voluntários e a equipe do hospital começaram a chegar com um vestido de noiva, tiara, anel, brincos, bolo e até violão. Uma equipe de anjos foi chegando. Todas colocando capa, máscara, luvas, do jeito que eu prometi. Deus fez melhor. E ouvir Paulinha dizer que nunca vai me esquecer e os agradecimentos emocionados. Todos choraram. Não foi só um casamento, foi uma longa história contada em uma semana pra preparar tudo", disse.

Para Maria de Lourdes, uma frase dita por Ana Paula durante o casamento resume o motivo de manter o projeto há duas décadas. "Escutar Paulinha dizer 'estou tão feliz'. Foi pra isso que o projeto foi criado".

Fonte: g1 PB

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