Amapá, Amazonas, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Mato Grosso, Pará, Paraíba, Rio de Janeiro, Roraima, Santa Catarina, São Paulo e Tocantins: essas 13 unidades federativas, além de sofrerem com os efeitos da pandemia do novo coronavírus, enfrentam os impactos de possíveis atos de corrupção e crimes contra a administração pública praticados com o dinheiro que deveria servir para combater a crise decorrente da Covid-19.
Acusações de fraudes em compras de respiradores, irregularidades em construção de hospitais de campanha, superfaturamentos e até desvio de máscaras — equipamento básico de proteção a médicos e enfermeiros — têm feito com que autoridades públicas, de técnicos das secretarias de Saúde a secretários e governadores, sejam investigadas em boa parte do país. Golpes em licitações e superfaturamento são os principais crimes apurados.
Juntos, e se comprovados, os casos podem ter tirado até R$ 857 milhões do combate ao novo coronavírus. As situações são investigadas pelas polícias Federal e estaduais e integrantes dos ministérios públicos estaduais. Quase metade dos entes federativos tem diligências em andamento, que passam por prefeituras e órgãos estaduais e chegam aos executivos locais.
Na Procuradoria-Geral da República (PGR), há 3.066 procedimentos judiciais. São investigações de natureza criminal, cível, constitucional, de cooperação internacional de direitos do cidadão, administrativa, cooperação internacional e até eleitoral que já foram judicializadas. Desse total, 1.185 são criminais.
A PGR explica que não é possível atestar que todos os casos são relacionados a contratos ou pagamentos irregulares. “Os procedimentos judiciais tratam-se, em sua maioria, de execuções penais. Já os extrajudiciais abordam questões como problemas na fila, no cadastro e na liberação do auxílio emergencial”, destaca.
A mais recente investida do tipo aconteceu na última quarta-feira (10/06), no Pará, em ação que mirou até o governador Helder Barbalho (MDB). Lá, a PF apura fraudes na compra de respiradores pulmonares pelo governo estadual. Agentes fizeram buscas na casa do governador, no Palácio dos Despachos, sede do governo, e nas secretarias de Saúde, Fazenda e Casa Civil. Na residência de um subsecretário de Saúde foram achados R$ 750 mil em espécie, acondicionados dentro de uma caixa térmica.
Veja valores investigados em possíveis desvios no combate ao coronavírus:
Especialistas em administração pública são categóricos: é preciso prudência e planejamento no uso dos recursos, sobretudo em momentos de crise, como a causada pela pandemia. Nesse sentido, guardadas as diferenças de legislação, empresas privadas e organismos públicos devem observar regras básicas.
“Dentre esses processos, destaca-se um que faz parte do dia a dia das organizações e que é a essência do próprio ato de administrar: o decisório. Mesmo sendo essencial para o funcionamento das organizações, muitas vezes o processo decisório é ‘esquecido'”, explica a mestre em administração e professora de Gestão de Mercados e Marketing da Faculdade Presbiteriana Mackenzie Célia Castro.
Ela cita que é preciso investir no monitoramento estratégico. Externamente, o processo ajuda na gestão de riscos. Internamente, verifica o desempenho dos objetivos estratégicos e de áreas funcionais e de atuação mercadológica, identificando vantagens competitivas e oportunidades de melhorias em recursos, capacidades e competências.
O que as investigações apuram pelos estados:
Amapá – sobrepreço na compra de máscaras;
Amazonas – compra de ventiladores respiratórios mediante dispensa de licitação;
Bahia – irregularidades nas compras de ventiladores pulmonares;
Ceará – supostos desvios de recursos destinados à compra de respiradores;
Distrito Federal – desvios na construção do hospital de campanha do Mané Garrincha e superfaturamento em materiais;
Mato Grosso – compra de respiradores falsificados;
Pará – fraudes na compra de respiradores pulmonares;

Paraíba – desvio de recursos públicos na aquisição de supostos materiais para o combate ao novo coronavírus;
Rio de Janeiro – desvios na área da Saúde prejudicando a construção de hospitais de campanha;
Roraima – compra e pagamento, de forma antecipada, de respiradores que não foram entregues;
Santa Catarina – pagamento adiantado na compra de respiradores que não foram entregues;
São Paulo – compra feita sem licitação para aquisição de respiradores;
Tocantins – superfaturamento em contratos para a aquisição de 12 mil máscaras.

Na mais recente reunião do conselho de ministros com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), na última terça-feira (09/06), o titular da Controladoria-Geral da União (CGU), Wagner Rosário, falou sobre a fiscalização e a transparência no combate à corrupção e às fraudes na Saúde ligadas à pandemia.
Uma força-tarefa, segundo o ministro, foi criada para apurar possíveis ilicitudes. “Criamos um canal específico para o cidadão se comunicar com o governo através de manifestações, denúncias, solicitações de informações”, destacou.
Risco de impeachment
A situação mais crítica é no Rio de Janeiro. Desde a Operação Placebo, o governador do Rio de Janeiro atravessa uma crise política. Seis secretários estaduais já deixaram o governo em mudanças que visavam tentar retomar o diálogo com a Assembleia Legislativa, sem sucesso.
A Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) aprovou, na quarta-feira (10/06), a abertura de processo de impeachment contra o governador Wilson Witzel (PSC).
Versão oficial
Em comum, todos as unidades federativas citadas na reportagem, quando foram alvo de operações, afirmaram que têm colaborado com as investigações e negaram as fraudes.

Por R7
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