
Estados Unidos e Taiwan deram mais um passo em sua aliança e mais uma razão para irritar a China nesta quinta-feira, 18, ao anunciarem que vão iniciar negociações comerciais no outono (primavera no Brasil). “Damos as boas-vindas a esta oportunidade de aprofundar a colaboração econômica entre os dois países amantes de liberdade”, afirmou no Twitter o ministério das Relações Exteriores de Taiwan.
“As negociações incluirão diversas áreas, como agricultura, comércio digital e redução ou anulação de tarifas de importação”, informou em um comunicado o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos. Além do desenvolvimento do comércio e investimentos, também vai ser abordada a questão das respostas às “políticas e métodos contrários ao mercado”, anunciou o escritório da representante comercial dos Estados Unidos, Katherine Tai.
Primeiras reuniões oficiais estão previstas para setembro. Pequim se pronunciou diante dessa decisão. “A China sempre foi contrária a qualquer negociação entre qualquer país e a região chinesa de Taiwan” disse a porta-voz do ministério das Relações Exteriores, Shu Jueting. Taiwan é um produtor e fornecedor global dos mais avançados semicondutores, usados em vários âmbitos, dos smartphones aos computadores, passando por automóveis ou mísseis, e um total de 42% das exportações taiwanesas vão para a China e Hong Kong, enquanto apenas 15% seguem para os Estados Unidos, de acordo com os dados de 2021.
Essa decisão acontece em um momento de coerção militar, diplomática e econômica da China, que no começo no mês executaram as maiores manobras aéreas e marítimas durante vários dias no Estreito de Taiwan, em resposta a visita da presidente da Câmara de Representantes dos Estados Unidos, Nancy Pelosi, a Taipé. Duas semanas após essas manobras, uma delegação norte-americana desembarcou na ilha nesta semana, que fez a China dar continuidade as atividades que vão permanecer durante todo o tempo em que eles estiverem em Taiwan.
Para os norte-americanos, essa é uma tentativa de uma campanha de pressão intensificada para intimidar e pressionar Taiwan e minar sua resistência”, disse Daniel Kritenbrink, enviado de Washington para o leste da Ásia. “As palavras e ações são profundamente desestabilizadoras. Correm o risco de provocar um erro de cálculo e ameaçam a estabilidade no Estreito de Taiwan”, acrescentou Kritenbrink. O diplomata disse acreditar que a pressão sobre o governo taiwanês prosseguirá nas próximas semanas e meses. Taiwan vive sob a ameaça constante de uma invasão chinesa, que considera a ilha parte de seu território e que poderia, inclusive, ser ocupado pela força em caso de necessidade.
Fonte: Jovem Pan, com informações da AFP
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