
O dólar voltou a disparar no mercado à vista na manhã desta quarta-feira (12), cotado aos R$ 5,43, em alta de 1,29%. Trata-se do maior valor intradia desde 04 de janeiro de 2023, quando a moeda americana atingiu os R$ 5,47.
A alta do câmbio ocorreu em meio a discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que destacou que o governo está “colocando as contas públicas em ordem para assegurar o equilíbrio fiscal”, mas que “não consegue discutir economia sem colocar a questão social na ordem do dia”.
O Governo Federal está pressionado para reduzir gastos em um momento de dificuldade para aumentar a arrecadação. Na noite desta terça-feira (11), o Senado Federal devolveu a Medida Provisória (MP) que restringia a compensação de créditos do PIS/Cofins em contrapartida à perda de arrecadação com a desoneração da folha de pagamentos. A medida poderia aumentar a receita federal em R$ 29,2 bilhões.
O diretor de câmbio da corretora Ourominas, Elson Gusmão, avalia que, além da incerteza sobre a sinalização do Federal Reserve (Fed) e os juros nos EUA, o ruído político envolvendo governo e o Senado reforça a cautela local com o quadro fiscal em meio à indefinição sobre as fontes de compensação para a manutenção da desoneração da folha de pagamentos de empresas de 17 setores e de municípios menores.
Além disso, segundo ele, o Senado ficou responsável pela definição das fontes de compensação à desoneração, à medida que a equipe econômica não tem plano B, o que apoia desgaste de Haddad. “O diálogo entre governo e o Congresso não é bom e gera cautela política, a pauta fiscal está parada no Congresso. Isso traz desconforto”, reiterou.
O dólar vem em uma trajetória de alta há algum tempo, um movimento que se acentuou nos últimos pregões. Segundo dados levantados por Einar Rivero, sócio-fundador da Elos Ayta Consultoria, o rela tem a terceira maior desvalorização frente à moeda americana no ano. O dólar acumula uma alta de 10,56% no ano em relação à divisa brasileira. Apenas o peso da Argentina e o iene do Japão têm desvalorizações maiores em 2024.
Como mostramos aqui, o movimento de valorização no ano reflete o comportamento dos investidores em busca de proteção em meio às dúvidas sobre o início do corte de juros nos Estados Unidos, mas nas últimas semanas o risco fiscal no ambiente doméstico ajudou a impulsionar ainda mais a alta.
Aos poucos, o mercado deixa de acreditar que o câmbio encerre o ano na casa dos R$ 5, como previa inicialmente o Boletim Focus na virada de 2023 para 2024. A edição mais recente, publicada nesta segunda-feira (10), traz uma projeção de R$ 5,05 para o fim do ano, mas há quem esteja ainda mais pessimista. O Itaú BBA, por exemplo, revisou suas expectativas e agora espera que o dólar esteja em R$ 5,15 em dezembro.
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