
Uma investigação feita contra o deputado estadual do Rio de Janeiro Thiego Raimundo de Oliveira Santos, conhecido como TH Joias, revelou, além de interações com pessoas ligadas ao crime organizado, uma relação com Hytalo Santos. O influenciador está preso suspeito de exploração e exposição de menores de idade em conteúdos produzidos para as redes sociais.
Um vídeo gravado em um baile no Morro do Alemão mostra o deputado ao lado de Gabriel Dias de Oliveira, o traficante Índio do Lixão, juntos do influenciador. A relação entre os três vai além de um encontro casual em uma festa.
Em uma conversa com TH, Hytalo Santos pediu ao deputado para que falasse com Índio e ameaçasse uma mulher que falou mal de Santos em uma rede social.
O traficante relata ter ameaçado uma mulher que criticou Hytalo nas redes sociais. “Menina falando besteira de você aí. TH me pediu pra eu falar com ela”, diz Índio. Ele aciona um comparsa: “Vai agora na direção dessa mina. Eu estou mandando apagar tudo.”
TH Joias foi preso na última quarta-feira (3) em uma megaoperação conjunta das polícias Federal e Civil, acusado de ser um "relevante membro do Comando Vermelho" e um facilitador do crime organizado no Rio de Janeiro.
A investigação revela que o parlamentar atuava como lavador de dinheiro para chefes do tráfico e intermediava a venda de fuzis, munições e drogas não só para o Comando Vermelho (CV), mas também para facções rivais como Terceiro Comando Puro (TCP) e Amigo dos Amigos (ADA).
Descrito por autoridades como "a facção criminosa vestida de terno, subindo em palanques", TH Joias é apontado por usar seu mandato para repassar informações privilegiadas às quadrilhas e proteger interesses criminosos. Imagens mostram o deputado deitado em uma cama coberta de dinheiro.
A operação conjunta da Polícia Federal e da Polícia Civil do Rio prendeu 15 pessoas. O alvo eram chefes do tráfico de drogas, mas agentes também encontraram o facilitador: o deputado TH Joias.
“Para fora, para a sociedade, um parlamentar preocupado com a segurança. Para dentro, nos bastidores, um relevante membro do Comando Vermelho, que trocava dinheiro para o chefe do tráfico solto”, afirma o superintendente da Polícia Federal, Fábio Galvão.
Em um dos registros, um traficante confirma que TH vai reunir integrantes do Comando Vermelho em sua casa para tratar de negócios. Em outra imagem, TH aparece ao lado de Índio do Lixão, que declara: "Eu tô no crime, cara, 15 anos, eu tirei 2 anos de preso. Eu me dou com os monstros da facção, cara. Eu movimento dinheiro do homem mais procurado do Comando Vermelho.”
TH já havia sido condenado a quase 15 anos de prisão, mas ficou apenas 10 meses preso. Recorreu e aguardava em liberdade. A prisão de 2017 foi feita pelo atual chefe da Polícia Civil do Rio, que também participou da operação desta semana.
“Por meio de um inquérito policial, ele foi investigado juntamente com outras pessoas e ficou comprovada a participação dele num esquema criminoso de lavagem de dinheiro, cooptação de policiais corruptos para obtenção de informações privilegiadas acerca de operações policiais, e também ele fazia a intermediação de venda de fuzis, munições e drogas para facções criminosas aqui do Estado do Rio de Janeiro”, afirma o secretário de Polícia Civil do Rio de Janeiro, Felipe Curi.
TH se candidatou à Assembleia Legislativa do Rio pelo MDB e ficou com a segunda suplência. Quando Rafael Picciani foi nomeado secretário de Estado, TH assumiu o mandato. O Ministério Público Federal tentou impedir sua candidatura em 2022, mas não conseguiu.
Como deputado, TH participava de eventos de segurança pública e repassava informações privilegiadas às facções.
A defesa de TH Joias afirmou, em nota, que considera absurdas as acusações e que há um movimento de perseguição política contra um representante legítimo do povo do Rio de Janeiro. Os advogados do delegado Gustavo Steel disseram que ele nunca teve contato com integrantes de facções criminosas e que sua inocência será provada ao final da investigação.
TH e os outros 14 presos estão no Complexo de Bangu. O deputado foi expulso do MDB. Após a operação, o governador exonerou Rafael Picciani para que ele voltasse à Assembleia, fazendo com que TH perdesse o mandato, mas permanecesse como suplente.
O Fantástico não conseguiu contato com as defesas de Hytalo Santos e de Gabriel Dias de Oliveira, o Índio do Lixão.
Fonte: g1/Fantástico
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