
A capital nepalesa viveu nesta terça-feira (9) um dos dias mais violentos de sua história recente. Manifestantes tomaram as ruas de Katmandu em protesto contra o bloqueio das principais plataformas de redes sociais, imposto pelo governo na semana passada. O movimento, liderado por jovens da geração Z, culminou na renúncia do primeiro-ministro K.P. Sharma Oli e deixou ao menos 22 mortos desde segunda-feira.
A decisão do governo de proibir o uso de aplicativos como WhatsApp, Facebook e Instagram atingiu diretamente a população, que depende dessas ferramentas para comunicação com familiares no exterior e para transações financeiras. O Nepal, encravado na Cordilheira do Himalaia, tem cerca de dois milhões de cidadãos vivendo fora do país, cujas remessas sustentam milhares de famílias.
Apesar da revogação do bloqueio nesta manhã, os protestos se intensificaram. À noite, manifestantes incendiaram prédios públicos, incluindo o Parlamento, a Suprema Corte e residências de ministros, entre eles a casa do próprio premiê Oli. Helicópteros militares foram acionados para evacuar autoridades em segurança.
A repressão policial, que incluiu o uso de balas de borracha e gás lacrimogêneo, provocou indignação e ampliou o foco dos protestos. Além da censura digital, os manifestantes denunciam corrupção, nepotismo e a estagnação política que assola o país desde a transição da monarquia para a república democrática, há uma década.
O presidente Ram Chandra Paudel aceitou a renúncia de Oli e convocou uma reunião de emergência para definir os próximos passos. Enquanto isso, a capital permanece em estado de alerta, com toque de recolher em vigor e fumaça cobrindo os céus de Katmandu.
Patosonline.com
Com informações do Jornal O Estadão
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