
A Operação Caatinga Resiste autuou 227 hectares na Paraíba de desmatamento ilegal no semiárido brasileiro, sem autorização para supressão de vegetação, segundo balanço preliminar apresentado na manhã desta sexta-feira (20/03). A ação foi realizada entre os dias 9 e 19 de março de 2026 e mobilizou Ministérios Públicos, órgãos ambientais e forças policiais da Paraíba, Alagoas, Bahia, Ceará, Minas Gerais, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe.
Na Paraíba, foram atendidos pelas equipes de fiscalização 15 alertas de desmatamento que resultaram na aplicação de R$ 160 mil em multas. Os dados preliminares estão sendo compilados pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas) e pela Superintendência de Administração do Meio Ambiente (Sudema). Na Paraíba, a ação teve a coordenação da promotora Cláudia Cabral, do Centro de Apoio Operacional do Meio Ambiente do MPPB.
A operação integra o projeto Caatinga Resiste da Associação Brasileira dos Membros do Ministério Público de Meio Ambiente (Abrampa), com coordenação nacional do Ministério Público de Sergipe (MPSE), e participação dos Ministérios Públicos estaduais envolvidos. Os alvos são propriedades privadas com áreas desmatadas de forma irregular, sem autorização de supressão de vegetação.
Resultados nacionais
A operação fiscalizou 324 alertas de desmatamento identificados por monitoramento remoto via satélite. As ações resultaram, até o momento, no embargo de 6.673 hectares e na aplicação de quase R$ 27 milhões em multas, atingindo aproximadamente 295 imóveis rurais. De iniciativa da Abrampa, por meio do projeto Caatinga Resiste, e com coordenação nacional do Ministério Público de Sergipe (MPSE) – responsável pela articulação entre os Ministérios Públicos estaduais –, em ação integrada com órgãos de fiscalização ambiental e forças segurança.
Os estados com maior área fiscalizada foram Pernambuco (2.752,12 ha), Ceará (2.062,54 ha) e Piauí (1.583,32 ha), concentrando os maiores volumes de desmatamento identificados pela operação. As irregularidades envolvem principalmente a supressão de vegetação nativa sem autorização válida, além de inconsistências em registros ambientais – como cadastros rurais – e o descumprimento de condicionantes estabelecidas em processos de licenciamento.
O balanço final da operação tende a apresentar números mais elevados, uma vez que parte dos dados ainda não foram consolidados ou incorporados.
Durante a operação, também foram identificadas outras infrações ambientais, como a apreensão de animais silvestres, a extração ilegal de areia, o uso irregular do fogo para supressão de vegetação e a exploração ilegal de madeira.
Os resultados da operação ganham relevância em um cenário recente de oscilação do desmatamento no bioma – o terceiro mais desmatado do país e estratégico como sumidouro de carbono. Após uma alta expressiva em 2024 – com perda de mais de 174 mil hectares de vegetação nativa –, a Caatinga registrou redução de 9% no desmatamento em 2025 (Deter/INPE). Ainda assim, os números revelados pela operação indicam que a pressão sobre o bioma permanece elevada, exigindo ações contínuas e coordenadas de fiscalização e controle.
Por Ascom/MPPB
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