
Foi sepultado no fim da manhã desta segunda-feira (30) o corpo da bebê Liana Maria, de 1 ano e seis meses, que morreu após permanecer internada no Hospital de Emergência e Trauma de Campina Grande. A morte da criança é alvo de investigação após familiares denunciarem uma suposta negligência médica no Hospital da Criança e do Adolescente, na mesma cidade.
O velório aconteceu durante a manhã, na Câmara Municipal de Remígio, cidade onde residem os pais da menina. Sob forte comoção, familiares e amigos acompanharam o cortejo até o cemitério local, onde ocorreu o sepultamento.
Liana Maria estava internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) desde a última terça-feira (24) e teve o óbito confirmado na noite deste domingo (29).
De acordo com a família, a criança foi levada inicialmente ao Hospital da Criança e do Adolescente na sexta-feira (20), apresentando sintomas gripais. Após atendimento, recebeu alta médica. Nos dias seguintes, a bebê retornou à unidade, mas, segundo os relatos, foi novamente liberada.
Familiares afirmam que, em uma das ocasiões, a mãe teria sido orientada por uma médica de que estaria “exagerando por ser mãe de primeira viagem”, sendo prescrita medicação antes da liberação.
Ainda segundo os parentes, o quadro da criança piorou após o retorno para casa, com sintomas como vômitos e secreção. Na segunda-feira (23), ela voltou à unidade de saúde, onde, conforme a denúncia, não teria sido examinada e recebeu nova alta com orientação para lavagem nasal.
Horas depois, já em casa, a bebê apresentou convulsões e foi levada novamente ao hospital durante a madrugada de segunda para terça-feira (24), sendo encaminhada diretamente para a ala vermelha. Posteriormente, foi transferida para a UTI, onde foi entubada.
Um tio da criança, que é profissional de saúde, relatou que chegou a sugerir uma intervenção médica, mas a recomendação não teria sido acatada.
Em nota, a Secretaria de Saúde de Campina Grande lamentou a morte e informou que iniciou apuração sobre os atendimentos realizados no Hospital da Criança. A pasta também solicitou apoio técnico do Conselho Regional de Medicina da Paraíba (CRM-PB) e comunicou o caso ao Ministério Público da Paraíba (MPPB).
O MPPB instaurou, nesta segunda-feira (30), a Notícia de Fato nº 003.2026.003645 para investigar possível falha na prestação de atendimento médico-hospitalar que possa ter contribuído para a morte da criança.
O procedimento é conduzido pela promotora de Justiça Adriana Amorim, que atua na área da Saúde. Como primeiras medidas, foram expedidos ofícios aos dois hospitais envolvidos, que deverão apresentar, no prazo de 15 dias, informações detalhadas sobre o atendimento prestado, além de cópias completas do prontuário médico da paciente.
Também foram acionados a Secretaria Municipal de Saúde, o CRM-PB, o Instituto de Polícia Científica (IPC) e o Serviço de Verificação de Óbito, que deverão fornecer informações técnicas e eventuais laudos sobre a causa da morte.
A Secretaria de Saúde terá ainda o prazo de 30 dias para informar se foi instaurado procedimento administrativo interno para apurar o caso e apresentar relatório conclusivo.
As investigações seguem com o objetivo de esclarecer as circunstâncias do atendimento e verificar possíveis responsabilidades.
Por Patos Online
Com informações do g1 PB
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