
A Casas Bahia protocolou, no fim da noite deste domingo, um pedido de recuperação judicial. Nele, a empresa informa que tem dívida de R$ 17,3 bilhões. O anúncio vem após a empresa divulgar prejuízo de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre de 2026. Em comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a companhia informou que o processo foi protocolado no Juízo de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central Cível de São Paulo.
Segundo a Casas Bahia, a decisão foi tomada diante da "deterioração das condições econômico-financeiras" da empresa. O grupo cita, entre os fatores que agravaram a situação, as taxas de juros elevadas, a restrição de crédito, o aumento dos custos financeiros e a pressão sobre o consumo e o capital de giro.
Além da própria Casas Bahia, o pedido engloba nove empresas do grupo:
A decisão representa um novo capítulo na tentativa de reestruturação financeira da varejista. Em 2024, quando acumulava cerca de R$ 4,1 bilhões em dívidas, a Casas Bahia já havia recorrido a uma recuperação extrajudicial.
Ao pedir proteção judicial, a empresa busca proteção contra cobrança de dívida de credores. Se aprovada, a cobrança e pagamento de débitos ficam suspensos por 180 dias, período que pode ser prorrogado por mais 180 dias.
A ideia é que a empresa tenha tempo para se reestrututar e pagar os credores mais adiante. Enquanto isso, as operações da empresa continuam, com vendas de produtos e serviços.
Uma assembleia de acionistas será convocada para deliberar sobre o pedido, aprovado no domingo pelo Conselho de Administração da companhia. Na reunião do colegiado, dois conselheiros renunciaram, Jackson Medeiros de Farias Schneider e Rogério Paulo Calderón Peres. O diretor vice-presidente Jurídico e Tributário da empresa, Fabio Spina, também teve sua renúncia aceita.
A Justiça também tem que aprovar o pedido de recuperação judicial.
Na petição da recuperação judicial, a Casas Bahia informou que ter demitido cerca de 3 mil funcionários e fechado quase 300 lojas apenas neste mês, reflexo da crise que afeta a empresa.
Entre as unidades que encerraram definitivamente suas atividades está a loja de Patos, que funcionava há cerca de 8 anos e fechou as portas na última sexta-feira (14). Inaugurada em dezembro de 2018, a loja da Casas Bahia em Patos contava com aproximadamente 16 funcionários, que foram surpreendidos com o encerramento das atividades, assim como clientes que procuraram o estabelecimento.
Os 3 mil funcionários representam 10% do total de empregados que o grupo tinha no fim de junho, segundo dados do balanço financeiro do segundo trimestre, divulgado na madrugada de domingo, após dois adiamentos. A companhia tinha 30.117 colaboradores naquele mês.
Segundo a Casas Bahia os cortes e o enxugamento dos pontos de venda fazem parte da reestruturação da empresa, com o objetivo de reduzir custos operacionais e "equalizar seu relevante passivo".
A Casas Bahia registrou prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões entre abril e junho, resultado negativo 18 vezes superior aos R$ 555 milhões registrados no mesmo período de 2025.
Em termos ajustados, o prejuízo ficou em R$ 978 milhões, alta de 76% na comparação anual. Segundo a companhia, aproximadamente R$ 9,1 bilhões do resultado foram provocados por eventos não recorrentes, entre eles baixa de ativos, despesas de reestruturação, contratos não performados e efeitos relacionados ao Imposto de Renda diferido.
O resultado financeiro líquido também permaneceu pressionado e ficou negativo em R$ 1,278 bilhão, ante R$ 1,147 bilhão no segundo trimestre do ano passado. A companhia atribuiu parte da pressão ao elevado custo de capital no país.
A receita líquida, por outro lado, avançou 1,6%, para R$ 6,97 bilhões. Já o Ebitda ajustado — indicador que mede o resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização — recuou 9,4%, para R$ 518 milhões.
O balanço divulgado no domingo já citava explicitamente a possibilidade de uma recuperação judicial ou de uma nova recuperação extrajudicial. A administração afirmava que avaliava "alternativas operacionais, financeiras, societárias e estratégicas adicionais" diante da situação de liquidez e das projeções de fluxo de caixa.
A auditoria EY também chamou atenção, no parecer que acompanha as demonstrações financeiras, para uma "incerteza relevante relacionada com a continuidade operacional" da companhia.
Além da redução da estrutura física e do quadro de pessoal, a varejista informou que está revendo estoques, volumes de compras, contratos, despesas administrativas e investimentos.
A companhia afirma que a estratégia busca reduzir a necessidade de capital, melhorar a geração de caixa e concentrar a operação em canais e categorias de maior margem e rentabilidade.
Fonte: O Globo
ELEIÇÕES 2026 Quaest: Lula tem 38% no 1º turno; Flávio, 31%; Caiado, 4%; Renan, 4%; Zema, 2%
PIXBET PF investiga uso de CPFs de 549 mortos em operações de câmbio ligadas a esquema de bets
POLÍTICA Após reunião com Lula, Alcolumbre libera PEC da Segurança e fim da 6x1 Mín. 20° Máx. 34°