
Argentinos tomaram as ruas em várias partes do país no sábado (27) para protestar contra a chamada "vacinação VIP", suposto escândalo de fura-fila da vacina contra a Covid-19 na Argentina. A "vacinação VIP" veio a tona após o jornalista Horacio Verbistky revelar que recebeu uma dose da vacina Sputnik V no Ministério da Saúde a convite do ministro Gines González Garcia, que renunciou ao cargo.
A divulgação das pessoas que receberam a vacina antes da hora, segundo o plano nacional de imunização da Argentina, segue causando revolta no país desde a divulgação do caso na semana passada. Entre os vacinados "VIPs", também está o embaixador do Brasil na Argentina, Daniel Scioli. A CNN Español tentou contatá-los para descobrir por que receberam a vacina, mas até 22 de fevereiro não obteve resposta.
Em seu perfil no Twitter, o presidente argentino Alberto Fernández publicou uma foto de mortuários colocados na frente da Casa Rosada por manifestantes neste sábado, os quais estavam com placas que diziam "Estava esperando a vacina, mas esta foi aplicada em", citando, em seguida, o nome de algum dos "vacinados VIPs".
"A maneira de se manifestar em democracia não pode ser exibir bolsas mortuárias com nomes de líderes políticos na frente da Casa Rosada", escreveu ele. "Esta lamentável ação mostra apenas como oponentes concebem a República. Não nos calemos diante de tal ato de barbárie."
Após a divulgação do escândalo, o ministro Garcia renunciou ao cargo em 19 de fevereiro, a pedido do presidente argentino. Carla Vizzotti foi então nomeada para o cargo; ela disse que as vacinações foram um "erro" e negou saber que foram realizadas na época.
Em 22 de fevereiro, foi divulgada a lista de 70 pessoas que receberam a dose no Hospital Posadas a pedido do Ministério da Saúde - ou seja, as 70 pessoas consideradas como "os vacinados VIP". Dentre estes, estão os dos presidentes das Comissões de Relações Exteriores do Senado e dos Deputados, Jorge Taiana e Eduardo Valdés. Outra pessoa que teria sido vacinada é o Ministro da Economia, Martín Guzmán, segundo fontes da CNN Español.
Na lista, também constam o ex-presidente argentino Eduardo Duhalde, o embaixador no Brasil na Argentina, Daniel Scioli, e o procurador da Fazenda, Carlos Zannini.
O presidente Alberto Fernández, que estava no México nesta semana, falou em coletiva de imprensa na terça-feira (23) sobre o ocorrido: "Na Argentina, 70 pessoas foram vacinadas irregularmente. O conceito irregular é um conceito que deve ser revisto. Entre os vacinados estavam pessoas que deveriam ser vacinadas estrategicamente".
A Argentina não é o único país latino-americano a ter um escândalo das vacinas. No Brasil, além das seringas vazias, também há as investigações conduzidas pelos Ministério Público estaduais a respeito dos fura-filas da vacina, lista que inclui até prefeitos e outros políticos.
No Peru, o governo e o Ministério Público investigam a vacinação secreta de funcionários do alto escalão com "doses de cortesia", que resultou na renúncia dos ministros de Relações Exteriores e da Saúde. O escândalo veio a tona após o ex-presidente Martín Vizcarra admitir em 11 de fevereiro que recebeu a vacina com sua esposa em outubro, quando ainda ocupava o cargo - enquanto a vacina estava em testes no país e ele não integrava o grupo de estudo clínico.
No Equador, a denúncia foi sobre convites para vacinação direcionados aos reitores de universidades públicas e privadas. O ministro da Saúde Juan Carlos Zevallos negou o ocorrido, mas informou em 26 de fevereiro que renunciou ao cargo.
Iván Pérez Sarmenti, CNN
(Texto traduzido. Clique aqui para ler a versão original em espanhol)
Foto: Reprodução CNN em Espanhol
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