
Fim da novela: Jair Bolsonaro e família agora têm o partido pelo qual concorrerão em 2022. A legenda escolhida, após a fracassada tentativa de criar a Aliança pelo Brasil, é o Patriota, antigo Partido Ecológico Nacional (PEN). O número da sigla nas urnas é 51.
O anúncio foi feito por Flávio Bolsonaro, que discursou na manhã desta segunda-feira (31) na convenção do Patriota já como filiado ao partido. Ele foi chamado de “líder do Patriota no Senado” — será, por enquanto, o único senador integrante da sigla.
Em seu discurso, o senador ‘filho 01’ falou em “construirmos juntos o maior partido do Brasil após as eleições de 2022”.
“A gente tem tudo para isso. Basta apenas deixar as nossas pequenas vaidades de lado, buscar um encaminhamento, buscar uma solução para tudo, aprovar este estatuto que está sendo colocado em votação agora.”
O partido acabou aprovando o novo estatuto, que abre caminho para a candidatura própria ao Planalto no ano que vem.
Flávio confirmou que o pai se filiará e, diante do racha na legenda antecipado por O Antagonista, afirmou que os integrantes do Patriota deveriam estar “celebrando, e não mais preocupados em ocupar espaço”. O senador lembrou que, antes de o pai se filiar ao PSL, o partido tinha somente um deputado federal.
“E fizemos bancada com 52 deputados [em 2018]. Não tenho dúvida de que a gente pode construir um partido maior ainda que o PSL”, acrescentou o senador.
No fim de 2017, Bolsonaro chegou a assinar a ficha de filiação ao Patriota, mas acabou selando uma aliança com o PSL, partido pelo qual seria eleito presidente da República no ano seguinte. Em fevereiro, Adilson Barroso, presidente do Patriota, deu uma entrevista a este site sobre o assunto. Na época, mostramos como o partido já estava rachado em relação o tema.
Bolsonaro teve como interlocutor nas negociações, além de Flávio, o ex-ministro do TSE e um de seus advogados Admar Gonzaga. No último sábado, noticiamos que o clima nos bastidores do Patriota estava tenso e que Adilson Barroso havia marcado convenção para hoje.
Adilson Barroso, principal entusiasta da filiação do presidente da República, disse mais cedo, na convenção, estar pronto “para rebater qualquer coisa que vier contra nós” e negou que esteja fazendo “negociata”. Antes, Ovasco Resende, vice-presidente da legenda, acusou Adilson Barroso de “articulações individualistas” para abrigar o presidente da República. O vice, contrário à filiação da família Bolsonaro, afirmou que “não mediremos esforços para defender o nosso partido”.
Depois de ter falhado na tentativa de criar um partido próprio, Jair Bolsonaro passou a procurar uma legenda com “porteira fechada”, como mostrou a Crusoé. O presidente chegou a ser convidado para se filiar ao PP e ao PL, por exemplo, e sentou-se para negociar também com PRTB e PMB.
Fonte - O Antogonista
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