
O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) voltou a invadir a área da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) em Petrolina, no sertão de Pernambuco. Em comunicado, o MST acusou o governo federal de não cumprir com os acordos prometidos em abril.
A invasão ocorre na véspera do evento Semiárido Show, programado para os dias 1º a 4 de agosto na unidade da Embrapa de Petrolina. Segundo o movimento, “a reocupação durante o evento tem como objetivo chamar a atenção das autoridades sobre a emergência da implementação da Reforma Agrária, considerando que desde as negociações com os órgãos competentes, não houve avanço nas pautas e os acordos ficaram estagnados”.
O MST havia ocupado a área da Embrapa em abril – mês no qual o Movimento tradicionalmente realiza um número maior de ações para promover a reforma agrária –, e deixou o local após negociações com o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA).
Segundo o comunicado do Movimento, foram prometidos pelo governo federal na ocasião: a destinação de parte da área para a reforma agrária; repasse de áreas para assentar as famílias que faziam parte da ocupação; e a recriação da Superintendência do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) de Petrolina.
No comunicado, o MST afirma que “já fazem 4 meses desse acordo, que tinha como intenção principal: distensionar a situação em Petrolina, resolver o problema do acampamento e ao mesmo tempo permitir que a Embrapa pudesse realizar o Semiárido Show”.
“O MDA rompeu com todos os acordos e tenta fazer o Semiárido Show sem cumprir nada do que foi acordado para resolver a questão das famílias acampadas”, diz o comunicado. O MST acrescenta que não quer atrapalhar o evento, mas não vai permitir sua realização “se não for cumprido o mínimo do mínimo”.
O Semiárido Show é uma feira de inovação tecnológica voltada para a agricultura familiar do semiárido brasileiro. O MST diz que aguarda a presença do governo federal, que compareceria ao evento através do MDA e do Incra, para novas negociações.
A CNN entrou em contato com o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar e com a Embrapa e aguarda resposta.
Segundo um levantamento da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) obtido pela CNN, o número de invasões de propriedades rurais registradas no país somente de janeiro a abril já superou os últimos anos.
Foram 56 invasões de propriedades rurais apenas nos quatro primeiro meses de 2023.
O número de invasões no campo foi de 182 em 2015, 57 em 2016 e 40 em 2017. De 2018 a 2022, ficou entre 11 e 23 casos por ano.
Quase um terço dos casos ocorreu na Bahia, estado com o maior volume de famílias acampadas, segundo o MST. O Movimento calcula que cerca de 70 mil das 100 mil famílias nessa situação estão no Nordeste.
Depois da Bahia, os maiores registros são em Pernambuco e em São Paulo, conforme o balanço da CNA.
Fonte - Fernanda Pinotti da CNN em São Paulo
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