
A Paraíba registrou 47 eventos sísmicos entre novembro de 2020 e janeiro de 2023, conforme dados divulgados pelo Laboratório Sismológico da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (LabSis UFRN). A cidade de Patos, no Sertão, foi a mais afetada, com seis tremores registrados. Juazeirinho, Campina Grande e Picuí também apresentaram significativa atividade sísmica, com cinco, quatro e três abalos, respectivamente.
Os eventos de maior magnitude, medidos em 2.2, ocorreram em Patos e em Belém do Brejo do Cruz. O engenheiro André Tavares do LabSis explicou que falhas geológicas e pressões na placa tectônica do continente são os principais causadores desses tremores. Segundo ele, as falhas geológicas, que são como rachaduras no subsolo, resultam das pressões nas bordas da placa tectônica Sul-Americana, além de outros fenômenos geológicos e até antropogênicos.
A possibilidade de desastres com mortes e danos a estruturas depende da intensidade dos terremotos e da proximidade do epicentro aos centros urbanos. André Tavares destacou que no Nordeste, a população começa a sentir os tremores a partir de uma magnitude de 1.5. Ele citou o exemplo do terremoto de João Câmara, no Rio Grande do Norte, em 1986, que teve uma magnitude de 5.1 e resultou na destruição da cidade.
Estudos da Rede Sismográfica Brasileira (RSBR) indicam que terremotos de magnitude 6.2 graus podem afetar a Paraíba e outros estados do Nordeste nos próximos 50 anos. A análise do Catálogo Sísmico Brasileiro (SISBRA) considera a região Nordeste como estável em termos de abalos sísmicos, mas destaca a probabilidade de terremotos destrutivos no futuro.
Os pesquisadores apontam que terremotos com magnitudes de 4.7 a 5.1 têm uma probabilidade de 50% de ocorrência nos próximos 50 anos, o que é relevante para estruturas civis como casas e prédios. Tremores entre 5.5 e 6.2 têm uma probabilidade de 10%, o que pode afetar obras civis de grandes dimensões como barragens, parques eólicos, mineração e usinas hidrelétricas e nucleares.
Por Patos Online
Com ClickPB
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