
O orçamento destinado às universidades e institutos federais de ensino superior sofrerá um corte de quase R$ 500 milhões em 2026, de acordo com alerta divulgado pela Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) nesta terça-feira (23), após análise do Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA), aprovado pelo Congresso Nacional na última sexta-feira (19).
Segundo a entidade, a redução nos recursos discricionários — que sustentam o funcionamento básico das instituições — totaliza R$ 488 milhões, o equivalente a 7,05% a menos em relação ao previsto anteriormente. Esses recursos são usados para despesas de custeio como água, energia elétrica, limpeza, vigilância, contratos terceirizados, manutenção de laboratórios e programas de assistência estudantil.
Em nota oficial, a Andifes manifestou “profunda preocupação” com o resultado da votação do PLOA e afirmou que o corte agrava um cenário já considerado crítico na rede federal. A associação destacou que as reduções “incidiram de forma desigual entre as universidades e atingiram todas as ações orçamentárias essenciais ao funcionamento da rede federal de ensino superior”, sem detalhar a distribuição dos impactos por instituição. Entre as áreas mais afetadas está a assistência estudantil: segundo a entidade, houve um corte de R$ 100 milhões nessa ação, o que representa uma redução de 7,3% no orçamento do setor, direcionado a estudantes de baixa renda por meio de auxílios de permanência.
Risco ao funcionamento cotidiano dos campi: como os cortes recaem sobre despesas de custeio, reitores e entidades alertam para possíveis atrasos em pagamentos de contas de luz, água e contratos terceirizados de limpeza e vigilância, o que pode levar à redução de horários de funcionamento, suspensão de serviços e interrupções pontuais de atividades acadêmicas e administrativas (Andifes; reportagens do G1, Metrópoles, InfoMoney).
Pressão sobre a permanência estudantil e aumento da evasão: a diminuição de R$ 100 milhões na assistência estudantil tende a reduzir a oferta de auxílios de moradia, transporte e alimentação, afetando sobretudo alunos de baixa renda e de primeira geração no ensino superior. Com menos apoio, especialistas e gestores preveem maior risco de trancamento de matrícula, atrasos na conclusão de cursos e aumento na evasão, especialmente em regiões com maior vulnerabilidade socioeconômica (Andifes; G1).
Prejuízos à pesquisa, laboratórios e pós-graduação: o custeio é crucial para aquisição de insumos, reagentes, manutenção de equipamentos e funcionamento de laboratórios. Cortes nessa rubrica podem atrasar cronogramas de pesquisa, reduzir a oferta de disciplinas práticas e comprometer a participação de grupos em projetos estratégicos e parcerias, diminuindo a competitividade científica internacional das universidades (reportagens setoriais e posicionamentos de reitores).
Redução de ações de extensão e impacto social: com menos recursos para transporte, logística e insumos, projetos de extensão em saúde, educação, assistência técnica e desenvolvimento local — que conectam a universidade à comunidade — tendem a encolher, afetando serviços gratuitos e programas que atendem populações vulneráveis em diversas regiões do país.
Efeito econômico em cadeias locais: universidades federais são âncoras econômicas em dezenas de cidades. A contração dos contratos de serviços e compras públicas pode afetar fornecedores, empregos e arrecadação local, com impactos multiplicadores negativos sobre economias municipais.
Aprofundamento de desigualdades entre instituições: como o corte não foi uniforme, há risco de intensificar desequilíbrios regionais e estruturais, já que universidades com menor capacidade de captação de recursos próprios ou de parcerias externas tendem a ser mais vulneráveis (Andifes).
Reação e próximos passos Em sua nota, a Andifes pediu a recomposição dos valores e diálogo com o Executivo e o Legislativo para mitigar os impactos no custeio essencial das universidades. Entidades do setor e reitores sinalizam que a recomposição, caso não ocorra no início do exercício, pode provocar um início de ano letivo sob restrições operacionais e com contingenciamento de ações de permanência estudantil.
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