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Policial MÁFIA DOS CONCURSOS

Justiça prorroga afastamento de delegado-geral da Polícia Civil de AL por 'máfia dos concursos' na Paraíba

Justiça da Paraíba entendeu que afastamento do cargo é para evitar interferências no desenrolar das investigações. Um outro agente da Polícia Civil também teve afastamento prorrogado por esquema.

16/06/2026 às 08h00 Atualizada em 16/06/2026 às 09h18
Por: Felipe Vilar Fonte: g1 PB
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Foto: Divulgação/Polícia Civil
Foto: Divulgação/Polícia Civil

A Justiça Federal na Paraíba prorrogou por 60 dias o afastamento do delegado-geral da Polícia Civil de Alagoas, Gustavo Xavier do Nascimento, pela suspeita de integrar um suposto esquema de fraudes em concursos na Paraíba e em outros estados. A decisão é da 16ª Vara Federal e o g1 teve acesso nesta segunda-feira (15).

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A decisão do juiz Manuel Maia de Vasconcelos Neto atende a uma recomendação do Ministério Público Federal da Paraíba (MPF), que entendeu que manter o afastamento dele do cargo seria necessário para evitar possíveis interferências no desenrolar das investigações que ainda acontecem.

Em março, Gustavo Xavier do Nascimento foi alvo de mandado de busca e apreensão em uma operação da Polícia Federal que investiga fraudes em certames. A Justiça diz que novas diligências sobre o caso devem ser feitas.

Na mesma decisão de prorrogação do afastamento, o agente da Polícia Civil em Alagoas, Eudson Oliveira de Matos, teve o afastamento do cargo prorrogado por mais 60 dias. Eudson, inclusive, se encontra atualmente preso na Central de Flagrantes da corporação em Alagoas. Ambos os afastamentos são em caráter cautelar.

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"O afastamento do exercício das funções públicas revela-se a medida menos gravosa para se fazer cessar a prática criminosa e impedir novas interferências nas investigações, não constituindo antecipação de condenação penal, mas meio de garantir a conveniência da investigação criminal", diz trecho da decisão.

Ambos os afastamentos são em caráter cautelar. No entanto, Gustavo Xavier, apesar de afastado da função de delegado-geral, continua atuando como delegado da corporação.

Para justificar a prorrogação dos afastamento, a Justiça citou que um aparelho celular foi apreendido na cela em que Eudson está preso e que isso poderia configurar uma prática de continuidade delitiva.

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Além disso, o MPF, na recomendação expedida, destacou que um novo concurso para os cargos de agente e escrivão da Polícia Civil em Alagoas está em aberto e, ambos no cargo, poderiam de alguma forma atrapalhar a realização e a lisura do certame.

O g1 entrou em contato com a defesa do delegado-geral afastado e também com a Polícia Civil de Alagoas, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem. A defesa de Eudson Oliveira não foi localizada.

Investigação contra o delegado-geral da Polícia Civil de Alagoas

O delegado-geral Gustavo Xavier do Nascimento é investigado por suspeita de ligação com um esquema criminoso conhecido como “Máfia dos Concursos”, sediado em Patos, no Sertão da Paraíba.

Ele foi alvo de mandado de busca e apreensão durante operação da Polícia Federal realizada em 17 de março, com cumprimento de ordens judiciais na Paraíba, Pernambuco e Alagoas.

Segundo decisão do juiz Manuel Maia de Vasconcelos Neto, da 16ª Vara Federal da Paraíba, Gustavo Xavier é suspeito de pressionar a família que chefiava o grupo criminoso para garantir vantagens ilícitas e favorecer familiares em concursos públicos.

Ainda de acordo com a decisão, a investigação tem como base depoimentos de colaboração premiada de investigados e interceptações telefônicas que apontariam a atuação do delegado no esquema.

A máfia dos concursos

A Polícia Federal descobriu um esquema de fraudes em concursos públicos liderado por uma família de Patos, no Sertão, que cobrava até R$ 500 mil por vaga. No ano passado, no âmbito dessas investigações contra o grupo, uma operação da PF cumpriu mandados de busca e apreensão, além de prender o líder do grupo, para desarticular a organização. Esse chefe, inclusive, morreu na Paraíba, no ano passado.

O grupo usava tecnologia para burlar os sistemas de segurança das bancas, incluindo dublês, pontos eletrônicos implantados cirurgicamente e comunicação em tempo real durante as provas.

Os valores exigidos variavam conforme o cargo e o grau de dificuldade do concurso e, além de dinheiro vivo, o grupo aceitava pagamentos em ouro, veículos e até procedimentos odontológicos como forma de quitar a propina, segundo a investigação.

A investigação indica que os crimes já aconteciam há mais de uma década. Durante todo o período, o grupo teria vendido aprovações, corrompido agentes de fiscalização e utilizado mecanismos sofisticados de fraude e falsificação para garantir cargos de alto escalão.

Segundo a PF, as fraudes alcançaram concursos da Polícia Federal, Caixa Econômica Federal, Polícias Civil e Militar, Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Banco do Brasil e até o Concurso Nacional Unificado (CNU).

Fonte: g1 PB

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