Um crime que alcançou grande repercussão no Estado teve como vítima o prefeito de Santa Luzia, no sertão da Paraíba, Itó Morais. O vice-prefeito Antônio Cesarino da Nóbrega e o comerciante Joácio Jairo de Medeiros, acusados de mandarem matar o prefeito Ito Morais e seu motorista João Ribeiro dos Santos, voltam no próximo dia 20 ao banco dos réus para um novo julgamento em João Pessoa.
Eles haviam sido absolvidos da acusação em fevereiro de 2005, num julgamento que durou 20 horas, resultado que gerou muita revolta aos familiares das vítimas e à população de Santa Luzia.
O Ministério Público, através do promotor Francisco Sarmento, recorreu da decisão alegando que o resultado contrariou as provas. A Câmara Criminal do Tribunal de Justiça da Paraíba, por unanimidade, considerou procedente a ação do MP e anulou o primeiro julgamento.Os advogados dos réus ainda recorreram ao Superior Tribuna de Justiça, mas não obtiveram êxito. O processo foi devolvido ao Tribunal de Justiça da Paraíba e o juiz do 1º Júri da Capital marcou um novo julgamento para o dia 20 deste mês.
Em Santa Luzia o clima é de muita expectativa.O assassinato de Itó Morais e de seu motorista João Ribeiro, aconteceu quando eles voltavam de uma feira de animais promovida pela Prefeitura. Era madrugada de 26 de maio de 2002 e quando o carro do prefeito parou na porteira da chácara dois pistoleiros executaram Itó e o motorista.
Eles foram executados a tiros de revólver, numa emboscada, por Everaldo Domingos, o Galego e Luciano Tavares,o Neguinho, pistoleiros contratos, segundo relatos da acusação contidos no processo, pelo vice-prefeito Antônio Cesarino, que teria interesse em assumir a prefeitura. O crime foi presenciado pelo caseiro do prefeito, Judivan Araújo, mas este em depoimento informou que não deu para ver os assassinos devido a distância e escuridão.
Além dos pistoleiros foram presos Edmilson Paredes, Ninão, sob acusação de ter sido o intermediador do contato e dado apoio logístico aos executores do duplo homicídio. A absolvição, principalmente de Cesarino, no primeiro julgamento, deixou a população de Santa Luzia frustrada. Edmilon Paredes, o Ninão, foi condenado a 34 anos de prisão.
Em seu depoimento ele declarou que havia contratado os pistoleiros a mando de vice-prefeito de Ito Morais, Antônio Cesarino. Uma caravana deve estar em João Pessoa para acompanhar o julgamento. Os réus serão defendidos pelos advogados Genival Veloso Filho e Sulamita Medeiros, que vão apresentar a tese de negativa de autoria.
Os réus seriam julgados na Comarca de Santa Luzia mas o processo foi desaforado para João Pessoa devido a amizade que os réus tinham com a comunidade, o que poderia influenciar o Corpo de Jurados.
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