De acordo com Saud, que assinou acordo de delação premiada, receberam o dinheiro os senadores Eduardo Braga (AM), Jader Barbalho (PA), Eunício Oliveira (CE, presidente do Senado), Renan Calheiros (AL), além do ex-senador Vital do Rego, hoje ministro do Tribunal de Contas da União (TCU).
Ele afirmou que, desse valor, R$ 1 milhão deveria ser destinado à senadora Katia Abreu (PMDB-TO), mas ela não teria recebido o dinheiro. “Esse R$ 1 milhão a Katia nunca recebeu, ficou tudo pra eles [outros senadores] lá”, disse.
O delator disse ainda que o pedido de pagamento foi feito pelo ex-ministro da Fazenda, Guido Mantega, a Joesley Batista, um dos donos da JBS, que estão transmitiu a ordem a ele.
Segundo Saud, o dinheiro saiu de uma cota de R$ 300 milhões que a JBS havia disponibilizado ao PT para serem gastos na campanha de 2014.
Saud disse ainda aos procuradores que esse dinheiro estava relacionado ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e “aos fundos”, mas não deu detalhes.
A JBS, dona de marcas como Friboi e Seara, se tornou a maior processadora de carnes do mundo e a maior empresa privada em faturamento no Brasil com apoio do BNDES durante os governos petistas.
Além de financiar o grupo, o BNDES comprou uma participação na JBS por meio da BNDESpar – braço do banco estatal que compra participações em empresas. A operação é investigada pelo Tribunal de Contas da União. Hoje o BNDES é dono de 21% da JBS.
“Na eleição de 2014, na reeleição da presidente Dilma, havia um risco sério de o PMDB debandar e não ir inteiro para o PT, uma parte apoiar o senador Aécio [Neves, que foi candidato a presidente pelo PSBD] e uma parte apoiar a Dilma. Como não tinha essa unidade, podia correr sério risco do PT perder”, disse Saud.
De acordo com o delator, o pagamento aos senadores foi feito sem o conhecimento do então vice Michel Temer. Mais tarde, entretanto, a JBS decidiu comunicar o pagamento a ele.
“E aí ele [Temer] ficou muito indignado: ‘não pode isso, com o é que é isso, Ricardo? Não tô entendendo isso aqui, uai. PMDB tem que passar por mim, uai. Eu vou reassumir o PMDB.’”
Por Fábio Amato, G1, Brasília
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